Tontura e zumbido

Tontura e zumbido: Um guia completo sobre causas, diagnóstico e tratamento

Sentir tontura e ouvir zumbido é uma experiência que pode virar a vida de cabeça para baixo. A tontura, aquela sensação de que você ou o mundo ao seu redor estão girando ou se movendo, afeta cerca de 20% da população brasileira, sendo a principal queixa de idosos. O zumbido, por sua vez, um som que só você ouve, como um chiado ou apito, é um problema que atinge mais de 28 milhões de brasileiros.

Embora possam parecer problemas isolados, frequentemente estão ligados ao nosso complexo sistema de equilíbrio e audição, que está localizado no ouvido interno.

A chave está no ouvido interno

O ouvido interno é a chave para entendermos esses sintomas. Ele é o lar da cóclea, responsável pela audição, e do labirinto, que controla nosso equilíbrio. Quando há um desarranjo nessa área, seja por inflamação, alterações de pressão ou outras causas, podemos manifestar esses sintomas.

Vamos dividir as causas em dois grandes grupos: doenças vestibulares agudas e crônicas.

Doenças vestibulares agudas

Estas geralmente têm um início súbito e podem ser muito intensas.

  • Vertigem posicional paroxística benigna (VPPB):  É a causa mais comum de tontura. Ela acontece quando pequenos cristais de cálcio do ouvido interno se deslocam para um local inadequado, causando crises rápidas e intensas de tontura ao mover a cabeça, como ao se deitar ou levantar. A VPPB é mais comum em pessoas acima de 50 anos e pode ser desencadeada por traumas na cabeça ou infecções de ouvido.
  • Neurite vestibular: É a inflamação do nervo vestibular, geralmente após uma infecção viral, como a gripe. Causa uma crise de tontura muito forte, contínua e que dura dias, muitas vezes acompanhada de náuseas e vômitos. A audição geralmente não é afetada.
  • Doença de Ménière: Causa crises súbitas e recorrentes que duram de minutos a horas, com tontura, perda de audição, zumbido e sensação de ouvido tapado. A causa exata é desconhecida, mas acredita-se que envolva um acúmulo de líquido no ouvido interno.

Doenças vestibulares crônicas

Estas se manifestam com sintomas mais persistentes e de longa duração, que podem ser menos intensos, mas muito limitantes.

  • Tontura postural-perceptual persistente (TPPP):  É a segunda causa mais comum de tontura crônica. Geralmente se inicia após uma crise de tontura aguda e se manifesta como uma sensação constante de balanço ou instabilidade, que piora com movimentos, ambientes complexos como supermercados e na posição ereta. Pessoas com ansiedade e enxaqueca são mais propensas a desenvolver TPPP.
  • Migrânea vestibular (ou Enxaqueca Vestibular): É uma causa muito comum de tontura, muitas vezes subdiagnosticada. A pessoa tem tontura, que pode ou não ser acompanhada de dor de cabeça, mas que se manifesta com outros sintomas típicos de enxaqueca, como sensibilidade à luz ou ao som.
  • Cinetose e mal do desembarque: A cinetose é a famosa tontura causada por movimento, como em um carro ou navio. Já o mal do desembarque é a sensação persistente de balanço que pode durar dias ou semanas após a pessoa desembarcar de um navio.
  • Síndrome de desequilíbrio do idoso: Com o envelhecimento, ocorre uma perda natural da função vestibular, causando uma sensação constante de desequilíbrio e dificuldade para caminhar.
  • Síndrome da terceira janela: É uma condição rara em que há um defeito ósseo no ouvido interno, causando tontura ao ouvir sons altos ou com mudanças de pressão.
  • Causas metabólicas e somatossensoriais: Problemas como diabetes, disfunções da tireoide e até mesmo alterações na coluna cervical podem causar tontura e desequilíbrio.

Diagnóstico e exames complementares

O diagnóstico de uma causa vestibular é essencialmente clínico. A avaliação começa com uma conversa detalhada sobre seus sintomas, histórico médico e o impacto na sua vida. Para complementar o diagnóstico, pode ser solicitado exames como:

  • Audiometria: Para avaliar a audição e identificar possíveis perdas auditivas associadas.
  • Vectoeletronistagmografia (VENG) e a Videonistagmografia (VNG): Avaliam o funcionamento do sistema vestibular por meio de testes com estímulos visuais e térmicos.
  • V-HIT (Head Impulse Test): Um exame rápido para avaliar a função de canais específicos do labirinto.
  • Potenciais evocados miogênicos vestibulares (VEMPs): Avaliam a resposta de partes específicas do labirinto a estímulos sonoros.
  • Exames de imagem: Em casos selecionados, pode ser necessário solicitar uma ressonância magnética do crânio para descartar doenças neurológicas centrais.

Tratamentos atualmente disponíveis

O tratamento é individualizado para cada paciente e pode incluir:

  • Reabilitação vestibular: Fisioterapia específica para o labirinto, com exercícios para estimular o cérebro a se adaptar à nova realidade. É a principal ferramenta no tratamento da VPPB, Neurite Vestibular e TPPP.
  • Medicamentos: Podem ser usados para aliviar os sintomas agudos (náusea e tontura) ou como terapia de longo prazo, como no caso da Doença de Ménière e da Migrânea Vestibular.
  • Mudanças no estilo de vida: Alimentação equilibrada, redução do sal (especialmente na Doença de Ménière), atividade física regular e técnicas para reduzir o estresse e a ansiedade são fundamentais.

Como prevenir?

Embora nem sempre seja possível prevenir, algumas medidas podem ajudar:

  • Cuidado com a audição: Evite exposição a sons altos e use protetores auriculares quando necessário.
  • Estilo de vida saudável: Mantenha uma dieta equilibrada, evite excesso de cafeína, álcool e sal, pratique exercícios físicos regularmente e gerencie o estresse.
  • Controle de doenças crônicas: Mantenha diabetes e hipertensão sob controle.

Diferenciando de outras doenças

É crucial diferenciar as doenças vestibulares de outras condições. Tontura e zumbido também podem ser sintomas de:

  • Doenças neurológicas: Como acidentes vasculares cerebrais (AVCs), esclerose múltipla e tumores. Nesses casos, geralmente há outros sintomas associados, como alterações na fala, na visão e fraqueza em membros.
  • Problemas cardíacos: Arritmias ou problemas de pressão sanguínea podem causar tontura. Nesses casos, a tontura é geralmente descrita como uma sensação de desmaio iminente.

Se você está sofrendo com tontura ou zumbido, lembre-se: esses sintomas não são normais e não devem ser ignorados. Uma avaliação detalhada por um profissional é o primeiro passo para recuperar sua qualidade de vida.

Espero ter esclarecido suas dúvidas. Se você se identifica com algum desses sintomas, por favor, agende uma consulta. Sua saúde é a nossa prioridade.

A importância dos óculos de video-frenzel

Os óculos de Video-Frenzel são uma ferramenta revolucionária e essencial no exame clínico de pacientes com tontura. Sua importância está em permitir que o médico avalie o sistema vestibular — a parte do ouvido interno responsável pelo equilíbrio — de uma forma muito mais precisa e objetiva do que seria possível a olho nu.

Por que eles são tão importantes?

O grande segredo por trás do Video-Frenzel é a sua capacidade de eliminar a fixação visual. Quando uma pessoa com um problema no labirinto está com tontura, seus olhos tendem a fazer movimentos involuntários e rítmicos, conhecidos como nistagmo. No entanto, a maioria das pessoas consegue suprimir esses movimentos simplesmente focando em um ponto fixo, o que impede o médico de ver o nistagmo e, consequentemente, de identificar a causa da tontura.

É aí que o Video-Frenzel entra:

  • Visão no escuro: Os óculos, com suas câmeras infravermelhas, permitem ao médico ver os olhos do paciente mesmo em completa escuridão. Sem um ponto para fixar, o nistagmo se manifesta, revelando informações cruciais sobre a origem da tontura.
  • Aumento e gravação: As lentes dos óculos aumentam os olhos, tornando até os movimentos mais discretos e rápidos visíveis. As câmeras ainda gravam todo o processo, permitindo que o médico revise os movimentos oculares quantas vezes forem necessárias para ter certeza do diagnóstico.

Como o Video-Frenzel ajuda no diagnóstico?

Ao usar os óculos de Video-Frenzel, o médico pode realizar uma série de testes e manobras, como:

  • Testes de posicionamento: O paciente muda de posição, e o médico observa o nistagmo. Isso é fundamental para diagnosticar a Vertigem Posicional Paroxística Benigna (VPPB), onde a tontura é causada por mudanças na posição da cabeça. O tipo e a direção do nistagmo informam ao médico qual é o canal semicircular afetado e qual manobra de reposicionamento deve ser feita.
  • Testes de estímulo: O médico pode realizar testes como o Teste do Impulso Cefálico, que avalia a resposta dos canais semicirculares a movimentos rápidos da cabeça, fornecendo informações valiosas sobre o funcionamento do labirinto.

Sem o Video-Frenzel, a avaliação do nistagmo seria subjetiva e menos precisa, aumentando a chance de um diagnóstico incorreto e, consequentemente, de um tratamento ineficaz. Portanto, essa ferramenta tecnológica é um aliado poderoso para o Otorrinolaringologista, garantindo que o diagnóstico seja o mais acurado possível.

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